Getúlio Vargas foi o político que por mais tempo governou o Brasil desde a adesão do país ao modelo político republicano, tendo sido presidente em dois períodos: de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954. Vargas assumiu o governo após a Revolução de 1930, que derrubou o monopólio político da chamada “República do café com leite”. Representando, especialmente, os pecuaristas do Rio Grande do Sul e de parte de Minas Gerais em aliança com João Pessoa, presidente da Paraíba (o que equivalia ao cargo de governador), Vargas e outros insatisfeitos com os rumos políticos e econômicos do país, posicionaram-se contra as oligarquias de Minas Gerais e São Paulo (produtoras de leite e café) que dominavam o cenário político brasileiro. Assim, decidiram fazer oposição a Júlio Prestes, candidato que sucederia a Washington Luís na presidência da nação. A Revolução de 1930 foi, portanto, o movimento armado iniciado em 03 de outubro de 1930, buscando impedir a posse de Júlio Prestes. O movimento saiu vitorioso em 24 de outubro de 1930 e, com a morte de João Pessoa, no dia 03 de novembro de 1930 Getúlio Dornelles Vargas passou a ocupar o cargo de presidente provisório do Brasil, iniciando a chamada Era Vargas.
No ano de 1932, durante o Governo Provisório ocorreu um confronto contrário à Revolução de 1930, nomeado de Revolução Constitucionalista. Este movimento armado, ocorrido em São Paulo, tinha ligação com as oligarquias paulistas que governavam na Primeira República, o movimento questionava a legitimidade de Vargas como presidente e exigia a criação de uma nova constituição. Foram três meses de combate, de julho a outubro, entre os constitucionalistas e as forças legalistas do Estado finalizando na rendição dos constitucionalistas. Em decorrência do conflito, em maio de 1933, foram realizadas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte e no ano de 1934 uma nova Constituição Federal foi implementada, substituindo a Constituição de 1891. Em decorrência das novas diretrizes nascentes com a Constituição de 34, eleições foram convocadas. Sendo neste momento, eleições indiretas, não abertas a toda população, mas somente aos representantes políticos que constituíam a Assembleia Nacional Constituinte. Vargas foi eleito em 1934 com 175 votos, enquanto os demais candidatos somaram 71 votos.
Tendo como justificativa o suposto avanço do comunismo, devido a tentativa de Levante Comunista de 1935, e um crescente descontentamento com a política e a economia brasileira, após três anos como presidente eleito, em 1937, Getúlio Vargas deu início ao Estado Novo. O regime político foi instaurado através do fechamento do Congresso Nacional e a instituição de uma nova Constituição Federal. O Estado Novo contou com apoio militar e buscava um Estado forte, centralizador e interventor. Ou seja, com o regime estado novista, Getúlio Vargas, como chefe do poder executivo, agregou em sua figura o poder político nacional. Desta forma, por exemplo, os governadores dos estados que se colocaram contrariamente ao regime do Estado Novo foram depostos e em seus lugares foram colocados interventores escolhidos pelo, então, presidente Vargas. Opositores ao governo eram perseguidos, torturados e mortos, a cultura e imprensa foram censuradas e deviam submeter ao Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), suas publicações. Estes fatos contribuem para que o Estado Novo também possa ser definido como uma ditadura. São deste período inúmeras das políticas trabalhistas que colaboraram para a fama de Vargas como a de um político que trouxe avanços aos trabalhadores brasileiros e à industrialização do país. Além disso, o forte controle da propaganda e as ações do DIP (e seus predecessores) foram executadas de modo a garantir a construção da imagem idealizada de Getúlio Vargas como o pai da nação.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas colocou o país em posição de neutralidade, já que a guerra ocorria fora do continente americano. Contudo, após algum tempo, o Brasil entra na guerra, em apoio aos Estados Unidos, que faziam parte do grupo dos Aliados, o que contribuiu para o prolongamento do regime estado novista. No entanto, com os sinais de fim da guerra, aumentaram as pressões para o fim do regime implementado por Vargas. O que acabou acontecendo em 1945. Deste modo, Getúlio Vargas permaneceu no cargo de presidente da nação brasileira durante 15 anos consecutivos.
A deposição de Vargas, o fim do Estado Novo e a redemocratização do país não foram um consenso, o que corroborou para o início do Movimento Queremista a fim de que Getúlio permanecesse à frente do poder executivo nacional. Apesar do clamor queremista, Vargas foi deposto e o movimento seguiu ao longo dos anos, mesmo quando Getúlio Vargas seguiu para um período de exílio em uma fazenda de sua família no sul do Brasil. Graças ao apoio queremista, em 1950, Getúlio Vargas concorreu ao cargo de presidente pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), tendo sido eleito com 48,73% dos votos através de eleições diretas, as quais incluíam brasileiros acima dos 18 anos, com exceção daqueles que fossem analfabetos. Uma vitória que desagradou seus oposicionistas que acusaram a população de “não saber votar”.
A despeito das reclamações antigetulistas, a vitória de Vargas nas urnas em 1950 foi um fato incontornável que gerou grande expectativa em grande parte da população, já que em seu primeiro governo houve inúmeros avanços em termos de leis trabalhistas, apesar disto, naquele primeiro momento, greves e contrariedades publicamente manifestadas às políticas do governo eram proibidas. De todo modo, o nome de Getúlio Vargas entrou para a história atrelado a políticas trabalhistas e nacionalistas. Uma vez mais no poder, a partir de 1951, esperava-se que Vargas prosseguisse com avanços em termos de políticas trabalhistas e de diminuição dos custos de vida, sobretudo, das camadas mais pobres da sociedade, o que não ocorreu. Assim, neste segundo governo, em que greves não eram mais proibidas, Vargas teve de encarar inúmeras delas. O que demonstrava a insatisfação da população com os rumos econômicos e políticos do país.
Em seu segundo governo, Getúlio Vargas prosseguiu apostando em políticas nacionalistas e ligadas ao desenvolvimento industrial. Porém, não contava mais com aparatos de repressão de opiniões divergentes às políticas nacionais. De fato, seu segundo governo não contou com apoio midiático, já que, especialmente durante o Estado Novo, seu governo exercia censura à imprensa a fim de que as notícias divulgadas fossem benéficas a sua administração. Um fato que não foi esquecido pelos jornalistas e donos de jornais. No terreno das políticas nacionalistas Vargas incentivou políticas como a que visava que as empresas estrangeiras somente fizessem remessas de até 10% de seus lucros para o exterior, pois se o dinheiro era feito em solo brasileiro, deveria permanecer em sua maior parte em solo brasileiro. Ainda neste sentido de aprimoramento nacional, fundações de ensino e pesquisa como a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) foram criadas para desenvolver os setores de ciência, ensino e pesquisa no Brasil. Além disso, Vargas é responsável pela criação da Petrobras, empresa estatal da área do petróleo de grande importância para a constituição da riqueza do país.
O segundo governo de Vargas é marcado por inúmeras pressões. E em um Brasil em que já não vigoravam políticas de censura, Getúlio e seus apoiadores não poderiam simplesmente mandar prender ou censurar seus opositores. Mesmo assim, o político Carlos Lacerda, grande opositor de Vargas, sofreu um atentado, o qual foi atribuído e comprovado que partiu de membros da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, aumentando as desconfianças em relação ao presidente e sobre a sua continuidade no comando do país. Neste cenário de pressões políticas, antes de completar seu segundo mandato como presidente do país, Getúlio Dornelles Vargas optou por tirar a própria vida em 24 de agosto de 1954.